8 de nov. de 2011

Num descuido de olhar

Num descuido de olhar, foquei o rosto daquela linda mulher, que esbanjava um certo ar de direito, de poder, mas que no fundo era puro sorriso a derreter. Era um sábado chuvoso e no ponto observava um ônibus passar com aquela mulher que eu não sabia quem era, não sabia para onde ia, mas que precisava conhecer. Esse tipo de acontecimento que nos faz bobos é tão bom de se sentir que me perderia todo dia pelo centro da Bhbilônia a me apaixonar por olhares que passam despercebidos por todos. Esse olhares jogados no ar, muitas vezes tem muito a dizer. Aquela mulher era diferente de todas, pois ela também me olhava, com um indistinto sabor. Era como ser eu estivesse ali apenas para ser visto, e nessa rápida troca de olhares, ficamos satisfeitos. Essa flertada inconsciente nos deixou pensativos, nos fazendo crer em futuros romances.



Passaram-se dez minutos e meu ônibus veio, e eu sentei em uma janela só para observar outros olhares como aquele, e quem sabe sentir de novo aquele sentimento. Passou-se alguns pontos e eu vi na rua parada em uma esquina aquela mulher do ônibus, que novamente me olhou, e eu sem conseguir desviar meu olhar fiquei paralisado. Paixão a primeira vista, dei sinal e desci no primeiro ponto ali adiante, e caminhei cerca de 40 metros até avista-la. Era uma ilusão minha, um devaneio, pois quem me garantiria que aquela mulher me daria alguma bola, ali naquela avenida comercial barulhenta e cheia de gente? Mas a cada passo uma certeza de que ali se iniciaria um grande amor aumentava, junto de meus batimentos cardíacos, pois meu coração nesse instante já estava na boca. Faltava cerca de 10 metros e ela ainda não tinha me visto, estava impaciente ali na esquina, esperando alguém parecia, e eu seguindo lentamente para que ela me visse chegar.





A três metros daquela bela figura feminina, já podia sentir seu cheiro contrastando com a fumaça e a gordura que dominavam o ar, um cheiro tão saboroso que não consegui mais me conter e quando me preparei para falar “oi”, um homem surgiu e a beijou na boca. Fim de jogo, fim da ilusão. Acabei por me afundar e um copo de cerveja para esperar o meu ônibus que só viria dali a longos quarenta minutos. Não que eu tenha ficado triste, ao contrario, aqueles seis minutos foram os mais grandiosos dos últimos dias, seis minutos de uma curta paixão, cheia de altos e baixos, acertos e desacertos, encontros e desencontros. Não que eu esperasse um final feliz, mas construir pequenas estórias de amor em meio a um povo que perdeu a muito esse sentimento, é um tanto quanto legal. Sinceros olhares são raros, não há como desperdiçar.

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